Uns tapam buracos no asfalto
e param. Postes,
estátuas macabras
esperam trocados:
a sorte.
Outros vendem frutas
no atraso das lombadas.
Uns atacam vidros fechados
e gritam. Vozes
vedadas, lentas,
esmolam sobras,
com sorte.
Outras são putas
no anoitecer da estrada.
Estrias do maltrato:
traços da miséria
sobre o corpo
em cortes.
Todos tristes trapos
lembranças de viagem,
recatos tímidos da vida,
recados tétricos da morte.
Todos
– um país –
trocados da sorte.