engolir sapos
cobras e lagartos
mascar rancor
saco roto de pancadas
eu
insulto
calei.
Minha poesia nada rala
que de ira se irrigava
secou
esquecida e rara.
Só lia e nada
impactava.
Tédio recato
tédio
nos versos alheios.
E eu repetia falas sagradas
estante estéril
mote metralha
no esforço
de relembrar
o inverso do bocejo:
“Estou farto do
lirismo comedido”
“Fera para a beleza
disso”
“Te escrevo fezes”
“Mas ainda não
é poesia.”
pé no gesso
regrado
pé no saco
dispenso a pose polida
e disparo petardos
incertas pedras
chutes feridas
de pé descalço
arrisco sem meta
ou metro estimado.
Solto minha rocha em
versos
pedras-de-raio
estrelas cadentes
chuva de meteoros
indigestos.
Porradas, vinde: voltei.