A
morte e o mito
O domingo, 25 de abril de 1852, se iniciara sombrio na casa do Dr. Inácio
Manuel Álvares de Azevedo, no Rio de Janeiro. Seu filho Manuel Antônio,
o Maneco, pedira à mãe, D. Maria Luísa, que mandasse
celebrar uma missa em seu quarto de doente. Sentia que, depois de mais
de 40 dias prostrado no leito, vítima de uma série de males,
que se manifestaram violentamente após uma queda de cavalo, chegara
a hora da morte - que tanto cantara em seus versos de adolescente, apaixonado
pelos delírios macabros de Byron e Musset.
Após se confessar ao padre arrumado às pressas, pediu à
mãe, grávida de seu oitavo irmão, que se retirasse
do quarto, pois precisava descansar. Por volta das 4 horas da tarde, com
o auxílio do irmão Quinquim - quatro anos mais moço
- ergueu-se um pouco do leito, beijou a mão de seu pai e,
a custo, exclamou:
-- Que fatalidade, meu pai!
Tentou ainda dizer algumas palavras, mas a boca já se contraía
e o corpo jazia imóvel nos braços do irmão.
-- Maneco! Maneco!... Gritavam Quinquim e o Dr. Inácio Manuel.
Do quarto ao lado, D. Maria Luísa, ouvindo e entendendo, soltou
um grito desesperado e desfaleceu.
No enterro, discursou o parente Joaquim Manuel de Macedo, médico,
professor e já um dos mais importantes e populares romancistas do
Brasil, autor de A Moreninha (1844). Entre outros elogios, afirmava que
“Deus tinha acendido na alma do mancebo aquele fogo sagrado da poesia,
que eleva o homem acima da terra e faz correr de seus lábios, em
cânticos sonoros, a linguagem do inspirado”.
No dia 27 de abril, o Correio Mercantil, jornal onde então trabalhava
Manuel Antônio de Almeida, publicou, na primeira página, uma
nota em que se lia: “Nesse jovem perdeu o Brasil um de seus mais esperançosos
filhos, um coração patriótico e dedicado, um poeta
cujos vôos deviam elevar-se a grandes alturas, um advogado que prometia
em breve conhecer todos os arcanos da ciências jurídicas,
pois que ainda no fervor dos anos já lhe eram igualmente familiares
os poetas e literatos da Itália, da Alemanha, da França e
da Inglaterra, assim como os escritos dos mais abalizados jurisconsultos
e publicistas.”
Quase um mês depois, a 22 de maio, em São Paulo, a sociedade
acadêmica a que Maneco pertencia, o Ensaio Filosófico Paulistano,
realizava uma sessão fúnebre em sua homenagem, presidida
por Amaral Gurgel. Nos vários discursos e poemas apresentados, “gênio”
é a palavra mais usada para caracterizá-lo.
Ao morrer, Manuel Antônio Álvares de Azevedo havia publicado
apenas alguns poemas e discursos em revistas acadêmicas de circulação
restrita aos estudantes de Direito de São Paulo. Já era,
no entanto, considerado, por aqueles que o conheciam, uma grande esperança
poética e intelectual.
A sua morte, antes que chegasse a completar o vigésimo primeiro
aniversário, privou-nos, nas palavras de José Veríssimo,
“daquele que seria talvez o máximo poeta brasileiro”. Seria... Talvez...
O certo é que a morte jovem criou, como sempre, um mito. O
mito do gênio doente e mórbido, que previra a própria
morte em “Se Eu Morresse Amanhã”:
“Nada que é tudo”, todo mito é enigmático. A tão
curta vida de Álvares de Azevedo é fonte de inúmeras
polêmicas entre seus biógrafos. Discute-se desde o local onde
teria nascido até a causa médica de sua morte. Principalmente
polemiza-se em torno da sua conduta quando estudante em São Paulo.
Libertino devasso ou estudante recatado? Vamos aos fatos que parecem certos.
Sabe-se que o autor da Lira dos Vinte Anos nasceu no dia 12 de setembro
de 1831, em São Paulo, onde seu pai era ainda quintanista da Faculdade
de Direito. Tudo indica que teria nascido na biblioteca da casa do avô,
embora haja uma lenda de que o parto teria ocorrido na biblioteca da própria
Faculdade de Direito. De qualquer modo, Álvares de Azevedo teria
nascido como, de resto, passaria toda a vida: entre livros.
Formado, seu pai se transfere para a capital, o Rio de Janeiro, iniciando
logo brilhante carreira jurídica. Aos quatro anos de idade, Maneco
depara-se, pela primeira vez, com a morte. O falecimento de seu irmãozinho,
Manuel Inácio, deixa marcas profundas sobre o jovem sensível.
Alguns biógrafos atribuem ao choque com a morte do irmão
uma febre que o domina entre os cinco e os seis anos, quase o mata, e que
o deixaria debilitado pelo resto da vida. Certamente o poema “O Anjinho”,
da Lira dos Vinte Anos, traduz, anos depois, a forte impressão que
o episódio lhe causou:
Publicação e Organização
A obra de Álvares de Azevedo é toda de divulgação
póstuma. Maneco mal teve tempo de escrevê-la, quanto mais
de organizá-la para publicação. Em 1853, o seu amigo
Domingos Jacy Monteiro, seguindo as intenções do autor, que
deixara anotações para a publicação em alguns
cadernos, organiza o primeiro volume das “Obras de Manuel Antônio
Álvares de Azevedo”. Com o título de Poesias, o livro traz
a primeira versão de Lira dos Vinte Anos, dividido em duas partes,
mas sem os seus respectivos prefácios, e incluindo apenas os poemas
até “É Ela! É Ela! É Ela! É Ela!”. A
partir da edição organizada por Joaquim Norberto de Sousa
e Silva, em 1873, foi acrescida uma terceira parte ao livro. E assim, a
cada edição a obra se modificava.
A versão do livro que hoje temos como definitiva foi organizada
por Homero Pires para a edição da Obras Completas de Álvares
de Azevedo da Companhia Editora Nacional, em 1942. Ela é composta
por um “Prefácio” geral à obra (Texto 1); uma “Dedicatória”
a` mãe do poeta; a Primeira Parte, composta por 33 poemas que vão
de “No Mar” a “Lembrança de Morrer” (Texto 4); a Segunda Parte,
com o seu “Prefácio” (Texto 5) e se compõe de 19 poemas
que vão de “Um Cadáver de Poeta” a “Minha Desgraça”
(Texto 9) - incluindo-se aqui, na contagem, os 6 da série “Spleen
e Charutos”; e de uma Terceira Parte que vai de “Meu Desejo” a “Página
Rota” e que, nas palavras do próprio Homero Pires, “não é
senão uma continuação da primeira parte”.
Para melhor entendermos as partes em que a obra se compõe, precisamos,
antes, investigar um pouco as influências que o jovem Maneco recebeu
dos autores mais importantes de seu tempo.
Na Primeira Parte de Lira dos Vinte Anos predomina a poesia mais sentimental,
o devaneio do primeiro Byron e de Musset. Pontificam o medo de amar, o
desejo vago por virgens intangíveis, o sentimento de culpa frente
aos desejos carnais e o fascínio com a morte. Trata-se de
uma poesia de seres imaginários e idéias abstratas vagando
na noite enevoada. O livro se abre com as seguintes epígrafes:
As palavras do Bocage pré-romântico e do romântico Lamartine
anunciam, em boa parte, o que será o livro. A morte, Deus, o amor
e a poesia inundam toda a obra. No prefácio, Álvares de Azevedo
explica melhor como irá desenvolver essa temática na Primeira
Parte da sua obra:
TEXTO I
“São os primeiros cantos de um pobre poeta. Desculpai-os. As primeiras
vozes do sabiá não têm a doçura dos seus cânticos
de amor.
É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa
de folhas, mas sem viço.
Cantos espontâneos do coração, vibrações
doridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o vento levou,
- como isso dou a lume essas harmonias.
São as páginas despedaçadas de um livro não
lido...
E agora que despi minha musa saudosa dos véus do mistério
do meu amor e da minha solidão, agora que ela vai seminua e tímida
por entre vós derramar em vossas almas os últimos perfumes
do seu coração, ó meus amigos, recebei-a no peito,
e amai-a como o consolo que foi de uma alma esperançosa, que depunha
fé na poesia e no amor - esses dois raios luminosos do coração
de Deus.”
A musa do poeta é saudosa, tímida e faz brotar, do sonho,
uma poesia triste e sem vigor. Essas são as características
básicas da poesia que Álvares de Azevedo se desculpa em apresentar
ao público. Os poemas da Primeira Parte abordam, de forma abstrata
e séria, os temas da morte e do amor platônico por uma virgem
pálida envolta em brumas, seguindo a linha adocicada e intangível
da poesia romântica de um Lamartine ou de Alfred de Musset. Leia
agora três poemas, acrescidos de notas, escolhidos entre os 33 desta
parte, para ilustrar o tratamento onírico dado pelo poeta
ao amor e à morte.
TEXTO 2
E, quando eu te contemplo adormecida
Solto o cabelo no suave leito,
Por que um suspiro tépido
ressona
E desmaia suavíssimo em teu
peito?
Virgem do meu amor, o beijo a furto
Que pouso em tua face adormecida
Não te lembra no peito os
meus amores
E a febre de sonhar da minha vida?
Dorme, ó anjo de amor! no
teu silêncio
O meu peito se afoga de ternura
E sinto que o porvir não
vale um beijo
E o céu um teu suspiro de
ventura!
Um beijo divinal que acende as veias,
Que de encantos os olhos ilumina,
Colhido a medo como flor da noite
Do teu lábio na rosa
purpurina ,
E um volver de teus olhos transparentes,
Um olhar dessa pálpebra sombria,
Talvez pudessem reviver-me n’alma
As santas ilusões de que
eu vivia!
No vaso impuro corrompeu-se o néctar,
A argila da existência desbotou-me!
O sol de tua glória abriu-me
as pálpebras,
Da nódoa das paixões
purificou-me!
E quantos sonhos na ilusão
da vida!
Quanta esperança no futuro
ainda!
Tudo calou-se pela noite eterna...
E eu vago errante e só na
treva infinda.
Alma em fogo, sedenta de infinito,
Num mundo de visões o vôo
abrindo,
Como o vento do mar no céu
noturno
Entre as nuvens de Deus passei dormindo!
A vida é noite: o céu
tem véu de sangue:
Tateia a sombra a geração
descrida...
Acorda-te, mortal! é no sepulcro
Que a larva humana se desperta à
vida!
Quando as harpas do peito a morte
estala,
Um treno de pavor soluça
e voa:
E a nota divinal que rompe as fibras
Nas dulias angélicas
ecoa.
TEXTO 4
E nem desfolhem na matéria
impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de
alegria
Se cale por meu triste passamento
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro
- Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfez ao dobre do
sineiro;
Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade - é
desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade - é
dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe!
Pobre coitada
Que por minha tristeza te definhas!
De meu pai... de meus únicos
amigos,
Poucos - bem poucos - e que não
zombavam
Quando, em noites de febre endoidecido,
Minhas pálidas crenças
duvidavam.
Se uma lágrima em pálpebras
me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei...
que nunca
Aos lábios me encostou a
face linda!
Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.
Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes
sonhos,
Filha do céu, eu vou amar
contigo!
Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
‘A sombra de uma cruz, e escrevam
nela:
- Foi poeta - sonhou - e amou na
vida. -
Sombras do vale, noites da montanha,
Que minh’alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe
canto!
Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu
repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai a lua pratear-me a
lousa!
Na Segunda Parte de Lira dos Vinte Anos, Álvares de Azevedo envereda por um romantismo irônico e sarcástico. Sem abandonar os temas do amor e da morte, representados sempre sob o manto da noite sombria, passa agora a “falar com coisas” (para usar o termo de João Cabral de Melo Neto) - a poetizar os objetos que o rodeiam. Vai agora, em processo claramente metalingüístico, dia-logar ironicamente com os grandes autores do romantismo. Escreve sobre os charutos, sobre uma queda de cavalo (intuição?), sobre o dinheiro (ou a falta deste), em suma, sobre temas corriqueiros que não cabiam na poesia onírica e sentimental da Primeira Parte. Consciente da mudança, deixou-nos um Prefácio a esta parte que explica detalhadamente esta trans-formação. Leia-o atentamente. As notas procuram explicar detalhadamente as inúmeras referências que aparecem ao longo do texto.
TEXTO 5
Cuidado, leitor, ao voltar a página!
Aqui dissipa-se o mundo visionário e platônico. Vamos entrar
num mundo novo, terra fantástica, verdadeira ilha Barataria de D.
Quixote, onde Sancho é rei ; e vivem Panúrgio , sir John
Falstaff , Bardolph , Fígaro e o Sganarello de D. João
Tenório: - a pátria dos sonhos de Cervantes e Shakespeare.
Quase que depois de Ariel esbarramos em Caliban .
A razão é simples. É que a unidade deste livro funda-se
numa binomia. Duas almas que moram nas cavernas de um cérebro pouco
mais ou menos de poeta escreveram este livro, verdadeira medalha de duas
faces.
Demais, perdoem-me os poetas do tempo, isto aqui é um tema, senão
mais novo, menos esgotado ao menos que o sentimentalismo tão fashionable
desde Werther e René .
Por um espírito de contradição, quando os homens se
vêem inundados de páginas amorosas, preferem um conto de Boccaccio
, uma caricatura de Rabelais , uma cena de Falstaff no Henrique IV de Shakespeare,
um provérbio fantástico daquele polisson Alfredo de
Musset , a todas as ternuras elegíacas dessa poesia de arremedo
que anda na moda e reduz as moedas de ouro se liga dos grandes poetas ao
tronco de cobre, divisível até ao extremo, dos liliputianos
poetastros . Antes da Quaresma há o Carnaval.
Há uma crise nos séculos como nos homens. É quando
a poesia cegou deslumbrada de fitar-se no misticismo e caiu do céu
sentindo exaustas as suas asas de ouro.
O poeta acorda na terra. Demais, o poeta é homem, Homo sum, como
dizia o célebre Romano . Vê, ouve, sente e, o que é
mais, sonha de noite as belas visões palpáveis de acordado.
Tem nervos, tem fibra e tem artérias - isto é, antes e depois
de ser um ente idealista, é um ente que tem corpo. E, digam o que
quiserem, sem esses elementos, que sou o primeiro a reconhecer muito prosaicos,
não há poesia. O que acontece? Na exaustão causada
pelo sentimentalismo, a alma ainda trêmula e ressoante da febre do
sangue, a alma que ama e canta, porque sua vida é amor e canto,
o que pode senão fazer o poema dos amores da vida real? Poema
talvez novo, mas que encerra em si muita verdade e muita natureza, e que
sem ser obsceno pode ser erótico sem ser monótono. Digam
e creiam o que quiserem: - todo o vaporoso da visão abstrata não
interessa tanto como a realidade formosa da bela mulher a quem amamos.
O poema começa então
pelos últimos crepúsculos do misticismo, brilhando sobre
a vida como a tarde sobre a terra. A poesia puríssima banha com
seu reflexo ideal a beleza sensível e nua.
Depois da doença da vida, que não dá ao mundo objetivo
cores tão azuladas como o nome britânico de blue devils ,
descarna e injeta de fel cada vez mais o coração. Nos mesmos
lábios onde suspirava a monodia amorosa, vem a sátira
que morde.
É assim. Depois dos poemas épicos Homero escreveu o poema
irônico . Goethe depois de Werther criou o Faust . Depois de Parisina
e o Giaour de Byron vem o Cain e Don Juan - Don Juan que começa
como Cain pelo amor, e acaba como ele pela descrença venenosa e
sarcástica .
Agora basta.
Ficarás tão adiantado agora, meu leitor, como se não
lesses essas páginas, destinadas a não ser lidas. Deus me
perdoe! assim é tudo! até os prefácios.
O Prefácio
apresenta claramente um programa poético. A poesia “caiu do céu
e “o poeta acorda na terra”. Vejamos como o poeta realiza esse programa
em alguns poemas da Segunda Parte.
TEXTO 6
Enchi o meu salão de mil figuras
Aqui voa um cavalo no galope,
Um roxo dominó as costas
volta
A um cavaleiro de alemães
bigodes,
Um preto beberrão sobre uma
pipa,
Aos grossos beiços a garrafa
aperta...
Ao longo das paredes se derramam
Extintas inscrições
de versos mortos,
E mortos ao nascer... Ali a alcova
Em águas negras se levanta
a ilha
Romântica, sombria à
flor das ondas
De um rio que se perde na floresta...
Um sonho de mancebo e de poeta,
El-Dorado de amor que a mente cria
Como um Éden de noites deleitosas...
Era ali que eu podia no silêncio
Junto de um anjo... Além
o romantismo!
Borra adiante folgaz caricatura
Com tinta de escrever e pó
vermelho
A gorda face, o volumoso abdômen,
E a grossa penca do nariz purpúreo
Do alegre vendilhão entre
botelhas
Metido num tonel... Na minha cômoda
Meio encetado o copo ainda verbera
As águas d’oiro do cognac
fogoso.
Negreja ao pé narcótica
botelha
Que da essência de flores
de laranja
Guarda o licor que nectariza os
nervos.
Ali mistura-se o charuto havano
Ao mesquinho cigarro e ao meu cachimbo.
A mesa escura cambaleia ao peso
Do titâneo Digesto , e ao
lado dele
Childe-Harold entreaberto
ou Lamartine
Mostra que o romanismo se descuida
E que a poesia sobrenada sempre
Ao pesadelo clássico do estudo
XI
Junto do meu leito meus poetas dormem
- O Dante, a Bíblia, Shakespeare
e Byron -
Na mesa confundidos. Junto deles
Meu velho candeeiro se espreguiça
E parece pedir a formatura.
Ó meu amigo, ó velador
noturno,
Tu não me abandonaste nas
vigílias,
Quer eu perdesse a noite sobre os
livros,
Quer, sentado no leito, pensativo
Relesse as minhas cartas de namoro!
Quero-te muito bem, ó meu
comparsa
Nas doidas cenas do meu drama obscuro!
E num dia de spleen , vindo a pachorra,
Hei de evocar-te num poema heróico
Na rima de Camões e de Ariosto
Como padrão às lâmpadas
futuras!
O Poeta Moribundo
Poetas! amanhã ao meu cadáver
Minha tripa cortai mais sonorosa!...
Façam dela uma corda e cantem
nela
Os amores da vida esperançosa!
Cantem esse verão que me alentava...
O aroma dos currais, o bezerrinho,
As aves que na sombra suspiravam,
E os sapos que cantavam no caminho!
Coração, por que tremes?
Se esta lira
Nas minhas mãos sem força
desafina,
Enquanto ao cemitério não
te levam,
Casa no marimbau a alma divina!
Eu morro qual nas mãos da
cozinheira
O marreco piando na agonia...
Como o cisne de outrora... que gemendo
Entre os hinos de amor se enternecia.
Coração, por que tremes?
Vejo a morte,
Ali vem lazarenta e desdentada...
Que noiva!... E devo então
dormir com ela?
Se ela ao menos dormisse mascarada!
Que ruínas! que amor petrificado!
Tão antediluviano e gigantesco!
Ora, façam idéia que
ternuras
Terá essa lagarta posta ao
fresco!
Antes mil vezes que dormir com ela,
Que dessa fúria o gozo, amor
eterno...
Se ali não há também
amor de velha,
Dêem-me as caldeiras do terceiro
inferno!
No inferno estão suavíssimas
belezas,
Cleópatras, Helenas, Eleonoras;
Lá se namora em boa companhia,
Não pode haver inferno com
Senhoras!
Se é verdade que os homens
gozadores,
Amigos de no vinho ter consolos,
Foram com Satanás fazer colônia,
Antes lá que do Céu
sofrer os tolos!
Ora! e forcem um’alma qual a minha,
Que no altar sacrifica ao Deus-preguiça,
A cantar ladainha eternamente
E por mil anos ajudar a missa!
Dessas águas-furtadas
onde eu moro
Eu a vejo estendendo no telhado
Os vestidos de chita, as saias brancas;
Eu a vejo e suspiro enamorado!
Esta noite eu ousei mais atrevido
Nas telhas que estalavam nos meus
passos
Ir espiar seu venturoso sono,
Vê-la mais bela de Morfeu
nos braços!
Como dormia! que profundo sono!...
Tinha na mão o ferro do engomado...
Como roncava maviosa e pura!...
Quase caí na rua desmaiado!
Afastei a janela, entrei medroso...
Palpitava-lhe o seio adormecido...
Fui beijá-la... roubei do
seio dela
Um bilhete que estava ali metido...
Oh! de certo... (pensei) é
doce página
Onde a alma derramou gentis amores;
São versos dela... que amanhã
de certo
Ela me enviará cheios de
flores...
Tremi de febre! Venturosa folha!
Quem pousasse contigo neste seio!
Como Otelo beijando a sua
esposa,
Eu beijei-a a tremer de devaneio.
É ela! é ela! - repeti
tremendo;
Mas cantou nesse instante uma coruja...
Abri cioso a página secreta...
Oh! meu Deus! era um rol de roupa
suja!
Mas se Werther morreu por ver Carlota
Dando pão com manteiga às
criancinhas
Se achou-a assim mais bela, - eu
mais te adoro
Sonhando-te a lavar as camisinhas!
É ela! é ela! meu amor,
minh’alma,
A Laura, a Beatriz que o céu
revela...
É ela! é ela! - murmurei
tremendo,
E o eco ao longe suspirou - é
ela!
Do cachimbo alemão no louro
barro
Ver a chama vermelha estremecendo
E até... perdoem-me... respirar-lhe
o sarro!
Porém o que há mais
doce nesta vida,
O que das mágoas desvanece
o luto
E dá som a uma alma empobrecida,
Palavra d’honra, és tu, ó
meu charuto!
Não é andar de cotovelos
rotos,
Ter duro como pedra o travesseiro...
Eu sei... O mundo é um lodaçal
perdido
Cujo sol (quem mo dera!) é
o dinheiro...
Minha desgraça, ó
cândida donzela,
O que faz que meu peito assim blasfema,
É ter para escrever todo
um poema
E não ter um vintém
para uma vela.
Embora a Terceira Parte do livro seja realmente uma continuidade da poesia sonhadora e sentimental da primeira, nela encontramos um poema que foi considerado por Antonio Candido “um dos mais fascinantes e bem compostos de Álvares de Azevedo”.
TEXTO 11
Cavaleiro, quem és? o remorso?
Do corcel te debruças no
dorso...
E galopas do vale através...
Oh! da estrada acordando as poeiras
Não escutas gritar as caveiras
E morder-te o fantasma nos pés?
Onde vais pelas trevas impuras,
Cavaleiro das armas escuras,
Macilento qual morto na tumba?...
Tu escutas... Na longa montanha
Um tropel teu galope acompanha?
E um clamor de vingança retumba?
Cavaleiro, quem és? - que
mistério,
Quem te força da morte no
império
Pela noite assombrada a vagar?
O FANTASMA
Sou o sonho de tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há
de matar!...
I . A publicação de
Lira dos Vinte Anos se deu em 1853, no ano seguinte ao da morte do seu
autor, Álvares de Azevedo.
II. O livro se divide em três
partes. A primeira apresenta uma poesia mais sentimental, enquanto, na
segunda, temos a faceta mais irônica e prosaica de Álvares
de Azevedo. Já na terceira parte, é retomado o sentimentalismo
da primeira.
III. Álvares de Azevedo,
um autor adolescente, apresenta em todo o transcorrer do livro Lira dos
Vinte Anos uma poesia ingênua e sentimental, sempre afastada da vida
real.
A) Só a proposição
I é correta.
B) Só a proposição
II é correta.
C) Só a proposição
III é correta.
D) As proposições
I e II são corretas.
E) As proposições
II e III são corretas.
2. Leia atentamente as proposições abaixo e assinale a alternativa correta.
I. No poema Meu Sonho, o eu
lírico lamenta, saudoso, a morte de uma flor que lhe remete à
infância perdida.
II. No poema Anjinho, o autor de
Lira dos Vinte Anos retoma a forte impressão que a morte do seu
irmão lhe causou aos quatro anos de idade.
III. No poema Idéias Íntimas,
Álvares de Azevedo realiza uma verdadeira viagem ao redor
do seu quarto, na qual se confundem os objetos presentes, os delírios
do eu lírico alcoolizado e os desejos vagos do jovem adolescente.
A) Só a proposição
I é correta.
B) Só a proposição
II é correta.
C) Só a proposição
III é correta.
D) As proposições
I e II são corretas.
E) As proposições
II e III são corretas.
Leia com atenção
o fragmento abaixo, e responda às questões 3 e 4.
A) Trata-se de um poema escrito em
versos decassílabos brancos, o que revela o pendor romântico
para a liberdade formal.
B) Trata-se de um dos fragmentos
do poema Idéias Íntimas, o que se pode perceber pela
descrição do ambiente do quarto do eu lírico, misturada
a seus devaneios.
C) O eu lírico personifica
o seu candeeiro, que o acompanha, seja nos estudos noturnos, seja nos devaneios
amorosos. Revela, assim, toda a sua solidão.
D) Trata-se de um poema sentimental,
da primeira parte do livro, o que se revela pela ambientação
noturna e intimista.
E) Shakespeare e Byron foram
duas fortes influências na obra de Álvares de Azevedo, o que
se revela pela presença constante de epígrafes dos dois poetas
ingleses nos poemas da Lira dos Vinte Anos.
4. O termo spleen,
presente no poema, é melhor traduzido como:
A) A tendência romântica
de atribuir alma à natureza ou mesmo aos objetos que rodeiam o eu
lírico, como o candeeiro, numa postura panteísta.
B) A propensão dos poetas
românticos para imitar os clássicos como Dante, Shakespeare
e Byron, o que pode ser constatado no início do poema.
C) O tédio e a melancolia
característicos do mal-do-século. O que é reforçado
no poema pelo termo pachorra.
D) A ambientação
noturna da poesia romântica, presente no poema.
E) A tendência romântica
de construir personagens heróicos, seguindo o modelo de Camões
e Ariosto, como está colocado no poema.
5. Assinale a alternativa
correta a respeito das estrofes abaixo.
Ando roto, sem bolsos nem dinheiro;
Mas tenho na viola uma riqueza:
Canto à lua de noite serenatas,
E quem vive de amor não tem
pobreza.
Não invejo ninguém,
nem ouço a raiva
Nas cavernas do peito, sufocante,
Quando à noite na treva em
mim se entornam
Os reflexos do baile fascinante.
Namoro e sou feliz nos meus amores;
Sou garboso e rapaz... Uma criada
Abrasada de amor por um soneto
Já um beijo me deu subindo
a escada...
6. O poema abaixo é
um dos mais conhecidos de Álvares de Azevedo. Faz parte da série
Spleen e Charutos, de Lira dos Vinte Anos. Leia-o atentamente para responder
às questões que o seguem:
Posso agora viver: para coroas
Não preciso no prado colher
flores;
Engrinaldo melhor a minha fronte
Nas rosas mais gentis de teus amores.
Vale todo um harém a minha
bela,
Em fazer-me ditoso ela capricha...
Vivo no sol de seus olhos namorados,
Como ao sol de verão a lagartixa.
a) Texto 2 (Sem Título)
b) Texto 8 (“É Ela!
É Ela! É Ela! É Ela!”).
8 - Leia o poema abaixo,
do poeta contemporâneo João Cabral de Melo Neto, e responda
às perguntas que o seguem.
As coisas, por detrás de nós,
exigem: falemos com elas,
mesmo quando nosso discurso
não consiga ser falar delas.
Dizem: falar sem coisas é
comprar o que seja sem moeda:
é sem fundos, falar com cheques,
em líquida, informe diarréia.
9 - Leia a afirmação
abaixo, do crítico Agripino Grieco, sobre Álvares de Azevedo:
Era
a poesia pura, o poeta puro, e morreu em estado de inocência, em
estado de graça, realizando bem aquela “gentileza de morrer”, de
que falou Leopardi. Com a sua existência cheia de constantes presságios
de fim prematuro (...), Álvares foi bem o sonhador como o entendem
os brasileiros, como o adoram os brasileiros, lírico, enternecido,
confidencial, preguiçoso de ritmos balançando as palavras
em rede de sesta, explorando as duas banalidades sempre originais deste
nosso pobre mundo: o amor e a morte.
a) A afirmação pode
ser generalizada para todo o conjunto da obra Lira dos Vinte Anos?
b) Justifique sua resposta com elementos
dos poemas acima.
10 - Responda as questões a seguir, sobre o poema No túmulo do meu amigo João Baptista da Silva Pereira Júnior (Texto 3):
a) O poema traz o subtítulo
de “Epitáfio”. Por quê?
b) Como. nesse poema, Álvares
de Azevedo articula as imagens do desejo sexual e da morte?
c) O verso “Tateia a sombra a geração
descrida...” poderia se referir a toda Segunda Geração
Romântica da poesia brasileira? Justifique.
1. D
2. E
3. D
4. C
5. A
6. a) Sol: calor e
força vital. Vinho: a embriaguez da paixão.
Sono: sonho amoroso.
Copo ( de vinho): a embriaguez da paixão. Leito:
sonho sensual.
b) Tu és o sol e eu sou a lagartixa, afirma o eu lírico
deste poema. A sua amada está, portanto, distante e inacessível.
Enquanto o eu lírico lagartixa, pálido, frio e repugnante,
vive do calor do sol distante, a musa sol mal se dá conta
do pequeno sáurio insignificante, alimentando-o apenas com olhares
namorados. Essa relação entre um eu lírico doentiamente
apaixonado e uma musa brilhante, pura e distante, perpassa todo o livro
de Álvares de Azevedo que, como o colocou Mário de Andrade
é o mais intenso dos representantes da geração do
Amor e Medo. Dos poetas que amam e que se mantêm medrosamente à
distância de suas amadas.
7. a) No Texto 2 a
musa é retratada "no vapor da ilusão". Imagem onírica,
a virgem angelical dorme e suspira. O eu-lírico rouba-lhe "um beijo
divinal que acende as veias" e espera recuperar as "santas ilusões"
de atingir a musa sonhada e distante. É exatamente contra essa postura
que Álvares de Azevedo se coloca no Prefácio à Segunda
Parte. Contra o "vaporoso da visão abstrata", prega "fazer o poema
dos amores da vida real".
b) No Texto 8 é este"poema dos amores da vida real" que vai fazer.
A amada agora é uma lavadeira vizinha do eu lírico e ele
vai visitá-la, furtivamente, à noite. Como a musa do poema
da Primeira Parte, esta também dormia, mas não suspirava,
"roncava maviosa e pura". O eu-lírico não encontra em seu
seio um bilhete amoroso, mas um "rol de roupa suja", e no final, compara
ironicamente a sua "lavadeira" às musas de Petrarca e Dante, assim
como sua situação com a do Werther de Goethe.
8. a) No fragmento
IX de Idéias Íntimas, assim como em boa parte do poema, Álvares
de Azevedo vai tratar dos objetos que o rodeiam. No caso, trata poeticamente
o candeeiro do seu quarto, falando não só "dele", mas literalmente
"com ele". Assim, sua poesia torna-se menos abstrata, vaporosa, ou, para
usar o termo de João Cabral, menos "líquida" e transforma-se
em linguagem mais sólida, contundente e concreta.
b) No poema Terza Rima (Texto 9), o poeta vai abordar seu charuto,
que produz as "névoas" de que na Primeira Parte do livro o poeta
tanto fala. Em É Ela! É Ela! É Ela! É Ela!
(Texto 8), aparecem, concretamente, a janela, as telhas, o ferro de engomar,
os vestidos de chita e um rol de roupa suja.
9. a) Não. A
afirmação parece levar em conta apenas os poemas da Primeira
Parte da Lira dos Vinte Anos. Já na Segunda Parte, Álvares
de Azevedo, ainda que continue a tematizar o amor e a morte, revela-se
bem menos "sonhador", "enternecido" ou "confidencial".
b) Basta pensarmos na ironia de É Ela! É Ela! É Ela!
É Ela! (Texto 8). No devaneio embriagado de Idéias Íntimas
(Texto 6), no elogio ao charuto de Terza Rima (Texto 9) ou no sarcasmo
de A Minha Desgraça (Texto 10), para vermos que Álvares de
Azevedo não foi sempre o "poeta puro" e "sonhador" que nos apresenta
Agripino Grieco.
10. a) Segundo o dicionário
de Aurélio Buarque de Holanda, um epitáfio é uma "inscrição
tumular, um elogio fúnebre". Neste sentido o poema pode ser entendido
como uma homenagem ao amigo que acabara de falecer. Ainda no mesmo verbete,
temos "epitáfio" como uma "espécie de poesia satírica
(geralmente em quadra) feita sobre um vivo como se tratasse de um morto".
O poema, escrito em quadras, pode, assim, ser considerado como um epitáfio
nesse segundo sentido: o eu-lírico estaria falando de si próprio
como um morto, refletindo não sobre a morte do amigo, mas sobre
sua própria morte.
b)
O desejo sexual é visto com impureza, nódoa, como um pecado
que corrompe a vida. O eu-lírico, que inicia o poema pedindo perdão
a Deus, está carregando de sentimento de culpa gerado pelo desejo.
Vaga "errante e só pena treva infinda", procurando a redenção
para os seus pecados. Essa redenção é atingida no
túmulo: "é no sepulcro que a larva humana se desperta à
vida!" A morte, portanto, aparece como forma de escape para o sentimento
de culpa que o desejo sexual faz brotar no eu-lírico.
c) A Segunda Geração Romântica da poesia brasileira
foi chamada por Mário de Andrade de "Geração do Amor
e Medo". Segundo ele, trata-se de uma geração de poetas que
viveu com pânico do amor, ou mais claramente, da realização
do ato sexual. Poetas como Casimiro de Abreu, Fagundes Varela, Junqueira
Freire e principalmente o nosso Maneco, revelam na sua obra uma verdadeira
fobia da relação carnal. Nesse sentido, o poema é
uma boa mostra de como Álvares de Azevedo, e toda a sua geração,
sente um enorme complexo de culpa em relação ao desejo sexual.
Ao escrever o verso "Tateia a sombra
a geração descrida...", Álvares de Azevedo certamente
não pensava em definir toda uma geração poética
do romantismo brasileiro. Mas, intuitivamente, o fez. A Segunda Geração
da poesia romântica brasileira é exatamente aquela que perde
as ilusões nacionalistas nutridas pelos nossos primeiros românticos.
É, portanto, "descrida". Vai encontrar o escape para suas angústias
na noite e na morte. Portanto, "tateia a sombra". Esse verso aplica-se,
assim, tanto a Álvares de Azevedo e seus companheiros de Faculdade,
quanto aos poetas que viriam a ser os seus mais importantes companheiros
geracionais, como Casimiro de Abreu, Fagundes Varela e Junqueira Freire.
1. Edições da Lira dos Vinte Anos utilizadas:
1.1. Obras Completas de Álvares de Azevedo; Org. Homero Pires; Rio de Janeiro; Companhia Editora Nacional; 1942.
1.2. Poesias Completas de Álvares de Azevedo; Rio de Janeiro; Ediouro; s.d.
1.3. Lira dos Vinte Anos; São Paulo; FTD; 1994.
2. Obras Consultadas:
2.1. ALMEIDA, Pires ; A Escola Byroniana no Brasil; São Paulo; Conselho Estadual de Cultura; 1962.
2.2. ANDRADE, Mário de ; "Amor e Medo" in Aspectos da Literatura Brasileira; São Paulo; Martins; 1960.
2.3. BARBOZA, Onédia Célia de Carvalho ; Byron no Brasil: Traduções; São Paulo; Ática; 1974.
2.4. CANDIDO, Antonio ; "Álvares de Azevedo, ou Ariel e Caliban" in Formação da Literatura Brasileira, Vol. 2, Belo Horizonte/ São Paulo; Itatiaia/Edusp, 1975.
2.5. CANDIDO, Antonio; "Cavalgada Ambígua" in Na Sala de Aula; São Paulo; Ática; 1985.
2.6. CARPEAUX, Otto Maria ; História da Literatura Ocidental - 8 Vols.; Rio de Janeiro; Alhambra; 1978.
2.7. CARVALHEIRO, Edgar ; Álvares de Azevedo; São Paulo; Melhoramentos; s.d.
2.8. JORDÃO, Vera Pacheco; Maneco, O Byroniano; Rio de Janeiro; Os Cadernos de Cultura/ MEC; 1955.
2.9. MAGALHÃES JÚNIOR, Raimundo; Poesia e Vida de Álvares de Azevedo; São Paulo; Editora da Américas; 1962.
2.10. VERÍSSIMO, José;
"Álvares de Azevedo"; in Estudos de Literatura Brasileira, Segunda
Série; Belo Horizonte/São Paulo


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