O que fazer da poesia, agora pós-tudo? Poucos, velhos ou jovens,
têm ousado encarar de frente a pergunta-sem-resposta. Frederico Barbosa
é um desses poucos.
Apresentando-lhe o livro de estréia, Rarefato (1990), Sebastião
Uchoa Leite chamou a atenção para a personalidade marcante
do jovem poeta, que vejo plenamente confirmada nesta nova safra.
Vejo também com satisfação que Frederico não
abandonou o experimentalismo assumido em Resistência ao Ar,
da primeira coletânea (o qual, lá como aqui, inclui o aspecto
físico do texto e do livro, com a sofisticada cooperação
de Carlos Fernando).
Mas é em especial no poema Sem Nem que Frederico se coloca
o dilema crucial do pós-fazer, a justificar a farpa ambígua
do título geral: Nada Feito Nada. Depois da poesia entre
parênteses, a poesia entre paredes. Essa dramatização
da negatividade, esse pôr tudo em questão, vazado em linguagem
tão sucinta e tão radical, me agrada muito.
É verdade que, negando tanto e tão totalmente, o poeta arrisca-se
a uma responsabilidade quase insuportável, que, levada às
últimas conseqüências, poderia situá-lo no difícil
limite entre o falar e o calar. Mas este é o supremo desafio dos
poetas. Que conta com as minhas – valham o que valerem – minoritárias
bênçãos.
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