Poemas de
 
Piet Mondrian, Victory Boogie-Woogie
barrocidade
 
amador ribeiro neto
 
 
joão pessoa - pb
1999
 
 

 
Apresentação:
Um crítico estréia como poeta.
 

        Novembro de 1998. Recebo por e-mail, vindos lá da Paraíba, alguns poemas do crítico e professor universitário Amador Ribeiro Neto. Vêm constrangidos, com um pedido de desculpas: “Me sinto meio envergonhado de te mandar as coisas e loisas cometidas em nome da dita poesia fezes.”
        Espanto-me. Já conhecia o crítico atento e perspicaz ,  mas o poeta ainda não havia mostrado a sua cara. E o que leio são textos contundentes, escritos com rigor e perpassados por uma dicção personalíssima. Raros. Raríssimos nesse mar de “correção” retrógrada que tem dominado a nossa poesia nos últimos tempos. Além da verborragia pseudopoética de sempre, lêem-se às pencas poemas “certinhos”, “bem feitinhos”. Mas onde está a poesia pungente, que fere, que coloca o dedo nas feridas? Feridas da linguagem e (por que não?) da vida.
        Assim descobri os poemas de Amador Ribeiro Neto. Espantei-me e alegrei-me. E outros poemas foram chegando por e-mail. Formaram um livro. Na esperança de dividir com mais leitores o meu entusiasmo, escolhi 11 dos textos de barrocidade. Aí vão, com a certeza de que podem representar uma luz - ou uma pedrada, o que é bem melhor - na estagnação poeticamente correta de hoje.
 

                                    Frederico Barbosa
 
 

      
   
  
  


 





 

Amador Ribeiro Neto, Doutor em Semiótica pela PUC-SP, é Professor de Teoria da Literatura na UFPB (Universidade Federal da Paraíba). Durante muitos anos, escreveu regularmente crítica literária em diversos jornais de São Paulo. Atualmente, assina coluna semanal no jornal A União (João Pessoa, PB).